terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

N´ Kosi Sikelele Africaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!

Ao ler diferentes media, sentimo-nos por vezes, tomados de indignação e ansiosos de mudança. Não daquela "mudança" grávida de maridos vários, mas, clandestinos na culpa do acto, que grita: é preciso mudar tudo, para que nada mude! E, tomamos conhecimento de promessas de ajuda, dádivas, empréstimos, negociatas que se fazem por cá, pensando no lado de lá. Na vida, as intenções contaminadas de boas intenções vão-se sucedendo, em rosário, em fieira, em barda. Boas intenções, bem nascidas, vestidas de solidariedade e de entreajuda, e depois, moribundas, corruptas, putrefactas, agonizantes, desintegrando-se no silêncio criminoso da falsas promessa, da promessa feita à falsa fé, da punhala-da última, cordial, que mata a boa-fé de promessas que se fizeram para não cumprir. Escrevendo, pensamos na "Voz" daquele que cantou: Why people make promises they never intended to keep? Ainda bem que temos a "Voz" que não deixa esquecer que a feitura de promessas sinceras é uma canção a mil vozes, em que muitas desafinam, mas que garante pequenas sinergias harmóncias. África parece desarmónica, mas há uma harmonia única, bem temperada, nas vozes desorquestradas que irrompem na noite africana: N´kosi Sikelele Africaaaaaaaaaaa!
A que vem este arremedo de escrito perguntam-se os "utilitaristas"? Vem por amor, responda-se-lhes: Africa a me dukossolê uenene! A me dukossole Africa!!!
Este escrito vem questionar um amor traído e retraído, o da Cooperação Portuguesa. Mil vozes descontentes chamaram-lhe: comperação, compração, escomperação. Formas substantivas e adjectivas de denúncia, de descontentamento, de frustração; exigência, de análise, de avaliação, de reinvestimento, daquilo que foi e é, podia ter sido e não foi, essa intenção generosa da Cooperação Portuguesa. Entre finais dos anos 70 e finais de 90, a Cooperação Portuguesa foi uma Instituição cuja existência, eficácia e eficiência interessa avaliar e no interesse bilateral dos países de expressão oficial portuguesa e de Portugal e por isso, impõe-se reflectir e prestar contas ao País?
Se em quase todos os projectos financiados por Portugal se impõe auditoria, porque não prestar contas públicas do cumprimentop dos projectos e respectiva auditoria?
Quanto custou a Portugal o Dossier Cooperação? Que vantagens levou e trouxe a Cooperação? Sendo um projecto executado na maior parte das vezes por especialistas ou técnicos qualificados, que resultados gerou? Que vantagens trouxe ao País? Que novos tipos de conhecimento e rela-cionamento produziu? Que relações existiram entre cooperantes e dirigentes da Cooperação? E os governantes do País? A que Cooperantes foi publicamente reconhecida a sua competência, entrega, sacrifício, a sua acção em termos de eficácia e eficiência? Quantos milhares de novos quadros emergiram nos Palops como fruto da Cooperação? O que sabe, ao certo, o país real sobre as potencialidades, limites, resultados, expectivas e produto final da Cooperação? Que voz é dada aos cooperantes na elaboração das políticas de Cooperação? Quantos ex-cooperantes foram aproveitados pelas instituições da Cooperação, para que esta seja mais realista, eficaz e eficiente?
África, oyé, oyé! Quanta esperança? Quanta promessa? Quanta traição? África oyé, oyé!
Que é feito dos bajuladores políticos, dos vendedores de quimeras e de falsas oportunidades? De traições oferecidas sob intenções mírificas que o tempo expôs e a economia cerceou?
África, oyé, oyé! Com a esperança de um apuramento, havemos de voltar, ao jeito do Poeta Agostinho Neto.
N ´Kosi Sikelele Africa!!!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Paizinho, um chiluno, um onganga, ou um menino, simplesmente???

Encontrámo-nos nas ruas de Benguela. A cabeça encapuçada lembrou imagens do "Homem elefante" de David Lynch. Pelo talhe via-se que era apenas uma criança, encapuçada, magra, muito magra, descalça, que estendia a mão, sem palavras, para recolher uma ajuda. O que ocultaria aquele tecido de fioco, sujo, húmido, feio, quase repugnante? Um rosto oculto porque doença? Chaga? Disformidade? A quem perguntámos não conhecia resposta... era assim uma espécie de mendigo-menino, fantasma, bruxo, ex-libris social de uma sociedade sem espelho onde contemplar os seus estimas.
De cada vez que nos sentávamos no Tan-Tan, e sempre que ele aparecia, colocavam-se-nos perguntas adicionais:
- O que se passou? Porque esconde a cara? O que se pode fazer por ele?
O tempo passava, o óbulo acontecia, mas a abordagem tardava.
Seria aquela figura vítima de doença, de disformidade gené-
tica, de negligência aleatória? E depois... o que fazer com a resposta? Tudo continuou assim como que num compasso de "não sei se deva", até Dezembro de 2005. Tinham passado dois anos de encontros esporádicos, de perguntas sem resposta. Na nossa cabeça alinhavavam-se algumas ideias que, até então, nunca transpuzeram a porta dos lábios.
O Paizinho foi-se tornando, para nós, um "ex-libris" da so-
ciedade benguelense, seguramente,pela singularidade da sua vida errática e mendicante. Em Benguela, pedintes são bwé... Paizinho há só um.
Evocando Lenine - e porque não? - "O que fazer?", transfor-mava-se numa pergunta retórica. Que poderia fazer-se?

Logos fluído

Ninguém pode banhar-se duas vezes nas águas do mesmo rio Heraclito de Éfeso. Por isso volto, mas, sendo o mesmo sou outro, é contra a autoridade e pela autoridade que volto e que voto.